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PM é indiciado por matar professor do Ifba a tirosquatro PMs atiraram

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Dos oito policiais militares investigados pela morte do engenheiro eletrônico e professor da rede federal Moacyr Trés da Costa Trindade, 61 anos, durante uma perseguição na Avenida Paralela, na manhã do dia 18 de junho, apenas um PM foi indiciado pelo crime. O soldado Danilo Esteves Soares Ramos, lotado na Operação Gêmeos, responderá por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

De acordo com relatório da Corregedoria da PM, referente ao Inquérito Policial Militar (IPM) que apura o caso, os projéteis extraídos do corpo do engenheiro e que o mataram saíram de uma submetralhadora automática da PM que no dia estava em posse do soldado.

Segundo a assessoria da PM, o inquérito foi concluído e, “após análise do Núcleo de Avaliação de Inquéritos (NAI), será remetido ao Ministério Público até o final desta semana”. Ainda conforme a assessoria da corporação, os demais policiais responderão por infrações administrativas. Todos eles, inclusive Danilo, cumprem atualmente expediente administrativo.

Segundo a investigação feita pela Corregedoria da PM, Moacyr seguia em seu carro, modelo Ford Ka, e começou a ser perseguido por policiais desde Lauro de Freitas. Ele acabou atingido por balas em uma abordagem da Operação Gêmeos, especializada no combate a assaltos a ônibus. Professor da rede federal desde a década de 1980, Moacyr dava aulas no Instituto Federal da Bahia (Ifba), no Barbalho, e era ex-presidente da seção Bahia do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE).

Perfurações
Ainda conforme o relatório da Corregedoria da PM, que o CORREIO teve acesso com exclusividade, o laudo pericial do Departamento de Polícia Técnica (DPT) que consta no relatório aponta três entradas de projéteis no corpo do professor: uma na região lateral direita do abdômen, uma na região lateral direita do quadril e outra na região genital.

No relatório da Corregedoria consta que dos oito PMs que participaram da perseguição, quatro atiraram contra o Ford Ka: o tenente Fabrício Carlos Santiago dos Santos e os soldados Marcelo Araújo Melo, Diego de Almeida Pinheiro, além de Danilo, autor dos dois disparos que mataram o professor. Os tiros considerados fatais saíram do cano da submetralhadora automática de marca Taurus-Famae, modelo MT 40, calibre ponto 40, usada pelo soldado Danilo.

Os peritos concluíram que o veículo foi atingido por, pelo menos, sete projéteis, “expondo a perigo a vida os seus ocupantes, assim como eventuais transeuntes que estivessem nas proximidades”, cita um trecho do documento. O relatório foi finalizado no último dia 18 de agosto pelo capitão Fernando Brandão Cruz, da Corregedoria da PM, e não aponta o autor do terceiro disparo que atingiu a vítima.

A reconstituição do caso foi realizada no dia 27 de agosto, na Avenida Paralela. Em nota, a PM informou que a reconstituição teve início às 6h30 e durou até por volta das 10h. “Este procedimento tem o objetivo de esclarecer quesitos formulados durante a apuração do Inquérito Policial Militar que ainda não tinham sido plenamente esclarecidos com as provas e depoimentos até então coletados”, afirma a assessoria de comunicação.

Interceptações
A investigação feita pela Corregedoria diz ainda que o Ford Ka conduzido por Moacyr desde Lauro de Freitas até o bairro do Trobogy, na capital, não parou em cinco interceptações. Em duas delas, segundo o inquérito, ele direcionou o carro a dois policiais, sendo um deles Danilo, que atirou em direção ao pneu traseiro do Ford Ka, perto da entrada de Trobogy.

Esta não foi a primeira vez que o engenheiro teve o carro atingido por tiros de PMs. Em 16 de março de 2015, durante uma confusão na Avenida Tancredo Neves, ele teve o GM Celta acertado por um policial. Por conta do episódio, o engenheiro moveu uma ação contra a corporação.

Exame toxicológico
Os policiais ouvidos por conta da ocorrência que terminou com a morte do professor, em junho, disseram ter encontrado certa quantidade de maconha dentro do Ford Ka, depois que uma das guarnições envolvidas na perseguição prestou socorro a Moacyr ao Hospital Geral Roberto Santos, onde ele morreu. A informação surpreendeu a família.

Em depoimento na Corregedoria da PM, a ex-companheira da vítima, que terá o nome mantido em sigilo, garantiu que Moacyr, durante 35 anos de convivência, nunca fumou sequer um cigarro ou fez uso de qualquer droga, o que a fez estranhar o fato de ter sido, supostamente, encontrado com posse de maconha. Diante da acusação, a família encomendou um exame toxicológico no corpo do engenheiro, que apontou “negativo” para cocaína, maconha, anfetamina e outras drogas. O corpo dele só foi enterrado dia 13 de julho para permitir a realização do exame.

Engenheiro processava a PM e pedia R$ 350 mil de indenização
Morto durante uma perseguição policial em junho deste ano, o engenheiro Moacyr Trés da Costa Trindade, 61, era autor de um processo contra a PM, no qual pedia indenização de R$ 350 mil por agressão sofrida em março do ano passado, também durante uma abordagem feita por PMs. O processo tramita na 7ª Vara da Fazenda Pública. A ação é atribuída a policiais do Esquadrão Águia.

De acordo com o documento, no dia 16 de março de 2015, ele seguia do Ifba, no Barbalho,  para casa, na Pituba, em um Celta branco, e ao passar pela Avenida Tancredo Neves, às 19h, foi abordado por um motociclista que tentava ultrapassá-lo a todo custo. Ao conseguir passar o veículo, o motociclista, que era um PM à paisana, teria apontado um revólver para Moacyr, que parou o carro. Nesse momento, outro PM à paisana, em uma segunda moto, chegou e furou o pneu traseiro do Celta branco com uma faca, conforme relato do professor. Os policiais eram lotados no Esquadrão Águia.

Segundo o processo, Moacyr ainda tentou pedir ajuda de uma viatura do Comando de Operações Especiais da PM, mas afirmou que um dos policiais acabou metralhando o pneu do veículo. Disse ainda ter sido retirado à força do carro, jogado no chão, algemado e detido. Até julho, a PM ainda não havia sido intimada sobre esse processo.

 

 

Fonte: Correio

 

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